O Censo 2010 traz diversos dados que permitem uma análise mais pormenorizada da dinâmica populacional indígena, possibilitando novos debates e acumulação de conhecimento sobre esta. Assim, com base nestes dados este trabalho pretende entender as principais dinâmicas da população indígena no município de Altamira, Estado do Pará, em específico os indígenas residentes na sede municipal e, em especial, as populações Arara, Juruna, Kuruaya e Xipaya. Uma análise histórica da cidade mostra a presença crescente de diversos grupos
indígenas, que nos últimos anos passou e ainda passa por um processo de etnogênese. Para compreendermos de maneira mais ampla os processos pelos quais esta população passou e passa, incorporaremos à análise o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da usina hidrelétrica de Belo Monte, que nos ajuda a traçar de maneira mais precisa a situação atual desta.
Dois processos recentes estão redirecionando os eixos migratórios do país, afetando de maneira direta a redistribuição espacial da população nos estados do Mato Grosso e Pará. Por um lado, temos a expansão da agroindústria no Mato Grosso, que significou uma mudança demográfica importante em relação ao processo anterior de expansão da cultura de soja. Por outro lado, as grandes obras de infraestrutura do Governo Federal, que se refletem em aumento de fluxos migratórios para as regiões em que estão ocorrem, e este é o caso do Pará. Para abordar essas questões, utilizamos os dados censitários dos anos de 2000 e 2010 para caracterizar os fluxos migratórios, e analisar a redistribuição espacial da população. Focalizamos duas microrregiões: Alto Teles Pires, no Mato Grosso; e Altamira, no Pará, apresentando e discutindo as tendências de urbanização e a inserção da população nas atividades produtivas.